Luiz Gama ~O Libertador~

Proibido de se matricular na Faculdade de Direito de São Paulo, fez o curso como ouvinte até dominar sua lógica e revolucionar esquemas e procedimentos para alforriar seu povo. Então, atuando como rábula (nome que se dá a um advogado não formado), com bancas independentes que trabalhavam nas frestas e contradições das leis escravistas, Luiz Gama comandou processos que libertaram juridicamente centenas de pessoas escravizadas.  Seus argumentos são pontiagudos e seus discursos pingam acidez e sagacidade.

Seu estilo satírico também é marcante, eternizado no poema “A bodarrada”, onde tira um barato da elite racista que se via por lentes europeias

O imenso Luiz Gama frequentou salões e partidos da elite imperial e fundou jornais abolicionistas. Termos como “Legítima Defesa” afloravam em seus textos, afrontando o sistema desenhado para proteger proprietários, colocando em último plano o ser humano, principalmente negro, como ocorre até hoje.

Preto, moleque trocado pelo pai branco como pagamento por dívidas de jogo, pegou mar e estrada entre Salvador, Rio de Janeiro, Santos e Campinas, onde ganhou a pecha de rebelde e insubordinado em pelotões e empregos até se sediar em São Paulo. Foi também jurado e odiado em muitas esquinas, fazendas e cidades que proibiam sua passagem. Até os seus últimos dias, já doente, lutou em tribunais para onde ia mesmo carregado nos ombros se muito doente.  Seu enterro teve 10 mil seguidores, quase um quarto da população de São Paulo na época.

 

Texto por Allan da Rosa

 

~O Libertador~